A BICICLETA NA CIDADE

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Quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, para ir ao trabalho, à padaria, casa de amigos e parentes, entre outros destinos, provavelmente já ouviu de algum motorista que a rua é lugar de carro, que não deveríamos pedalar por elas. Mas será mesmo que essa afirmação é verdadeira?

Podemos deduzir que as ruas surgiram junto com as primeiras cidades, há pelos menos três mil anos antes de Cristo. Já o automóvel, criado no final do Século XIX, só se popularizou no início do XX, ou seja, são cinco mil anos de distância que separam o surgimento dos dois. Então, será mesmo que as ruas foram mesmo criadas para serem ocupadas apenas por veículos automotores? A resposta é NÃO!

É claro que as vias que cortam a cidade sempre foram usadas por carroças e outros transportes de tração animal, levando pessoas e mercadorias, mas esses espaços públicos tinham outros objetivos que foram se perdendo conforme nossa opção de locomoção foi privilegiando o individual e não o coletivo. As ruas serviam como ponto de encontro entre os munícipes e seus visitantes, locais para realizar comércio, performances artísticas e políticas, crianças a brincar.

Homenagem ao ciclista Max
Homenagem ao ciclista Max, atropelado na Avenida Dom Helder Câmara

As pessoas não estavam restritas às calçadas e também podiam atravessar em qualquer ponto. Foi com o aumento das mortes e da demonização dos carros que veio a primeira portaria obrigando o uso da faixa de pedestres em 1912 na cidade estadunidense de Kansas. A partir dos anos 20, com forte financiamento das montadoras, a norma se espalhou para outras cidades e atravessar fora da faixa se transformou em infração de trânsito, com multas para todos aqueles que a desobedecem.

A indústria automobilística também sucateou o transporte público, comprando empresas que operavam bondes e desmontando-as, substituindo por ônibus. A pressão através de lobbies fez com que governos investissem em rodovias em detrimento das ferrovias. Atualmente, todos nós sofremos não apenas com engarrafamentos, mas com a poluição, mortes e altos custos de locomoção.

Segundo o ITDP (Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento), apenas 20% das pessoas se locomovem em carros, ocupando 80% das vias. Logo, a grande maioria dos cidadãos (80%) precisa se espremer nos 20% de ruas que sobram. A matemática se repete nos investimentos públicos, ficando a maior parte dos recursos aplicada no transporte individual motorizado. Tudo isso mostra que já passou da hora de pensarmos numa outra forma de organizar os deslocamentos na cidade.

Além de investimentos em modais de alta capacidade, como metrô, trem e barcas, é necessário pensar também na locomoção a pé e por bicicleta.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, a bicicleta é um veículo e, como tal, precisa circular pela ruas, podendo utilizar o lado direito ou esquerdo da via. Nunca trafegar na calçada, exceto se o condutor estiver desmontado, ou na contramão. Mas quem pedala sabe que nem sempre é possível seguir à risca essas regras. Ao ver um ciclista fazendo isso, não o encare como alguém que está infringindo a lei, mas como alguém que demanda uma estrutura segura e não a encontra.

Utilizar a bicicleta como meio de transporte é bom para você, para a cidade e para o planeta.

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